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Apesar da estabilidade registrada pelo mercado da soja na sessão desta terça-feira (7) na Bolsa de Chicago, as referências de preços para a oleaginosa nos portos brasileiros voltaram a subir de forma muito expressiva. Os ganhos nos principais terminais do país passavam de 2% no início da tarde de hoje, mesmo com o dólar atuando em campo negativo.

A oferta brasileira de soja segue disputada e dando sustentação a este cenário. Assim, em Paranaguá, o produto disponível era cotado a R$ 98,00 por saca, subindo 2,08% em Rio Grande a R$ 95,50, com alta de 2,69%. No mercado futuro, com a soja a ser embarcada entre março e maio de 2017, a soja tinha R$ 92,00 em ambos os terminais com ganhos de, respectivamente, 2,22% e 1,10%.

Nos últimos dias, os preços de soja nos portos brasileiros chegaram a alcançar o patamar dos R$ 100,00 por saca e a superá-lo ligeiramente em alguns momentos. Além disso, a referência do Cepea também bateu seu recorde da série histórica ao chegar aos R$ 96,26 por saca. "Esse valor é recorde da série do Cepea, em termos nominais. Em termos reais, o Indicador é o maior desde 24 de setembro de 2012, quando fechou a R$ 98,05 (valor atualizado pelo IGP-DI de abril/16)", informou o Cepea em um de seus alertas.

Termômetro da demanda internacional intensa pela soja brasileira - e que vem disputando com a indústria brasileira - os prêmios também têm registrado ganhos muito forte nos portos. Em Paranaguá, as duas posições mais próximas de entrega - junho e julho/16 - têm, respectivamente, valores de US$ 1,05 e US$ 1,10 por bushel sobre os atuais valores praticados em Chicago. Até mesmo a posição abril/17 ainda conta com prêmios positivos e tem 38 cents de dólar acima da CBOT.

A América do Sul terá uma safra 2015/16 menor do que as estimativas iniciais indicavam e assim já se espera não só um volume menor de grão, mas também dos derivados farelo e óleo. Com isso, a demanda maior pelos três produtos acaba se chocando com essa oferta menor, principalmente no caso do farelo argentino. E a China segue comprando, principalmente soja em grão.

"A demanda interna (chinesa) está aquecida e as margens de lucratividade para os esmagadores, por conta do farelo e do óleo, estão bastante positivas. Então, a China, além de consumir internamente volumes crescentes, ela se tornou uma exportadora para os países vizinhos, abastecendo-os com farelo e óleo. O esmagamento na China tem um custo bem mais baixo do que na América do Sul e Estados Unidos, então continua sendo mais vantajoso levar o grão, esmagar na China e atender os mercados regionais", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

A tendência neste momento, porém, é de que as negociações no Brasil permaneçam travadas, acontecendo apenas de forma pontual e mais regionalizadas, ainda de acordo com o consultor. Com cerca de 80% da safra 2015/16 já comercializada e os preços muito firmes e em patamares recores, os produtores estão retraídos. As exportações perdem um pouco de ritmo, com a indústria local pagando até mais do que a exportação para garantir sua matéria-prima.

"Temos vistos níveis do interior de R$ 2,00 a R$ 3,00 acima do que pode liquidar na exportação, mas no consumo regional, para a produção de óleo e farelo", relata Brandalizze.

Bolsa de Chicago

Em Chicago, após altas fortes e consecutivas, o mercado parece dar uma pausa para retomar seu fôlego e opera com estabilidade nesta terça-feira, testando o lado negativo da tabela em determinados momentos. Por volta de 12h15 (horário e Brasília), os primeiros vencimentos subiam perdiam entre 1 e 5 pontos, com o julho/16 valendo US$ 11,34 por bushel. Já o novembro/16, referência para a safra americana, era negociado a US$ 11,06, com 0,50 ponto de alta.

O mercado ainda trilha o caminho da relação de oferta e de demanda cada vez mais apertada, porém, depois de altas fortes nas últimas sessões, os traders parecem dar uma pausa para retomar o fôlego. Ainda assim, analistas acreditam que novos ganhos podem ser registrados nos próximos dias frente à força do consumo global pelo grão e seus derivados.

De outro lado, há a nova safra dos Estados Unidos se desenvolvendo de forma ainda bastante satisfatória, o que poderia acabar limitando os ganhos. Porém, para os próximos dias as previsões já são de tempo mais quente e seco, o que poderia ajudar no avanço das cotações.

No final da tarde desta segunda-feira (6), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualizou seu reporte semanal de acompanhamento de safras mostrando que 83% da área de soja já foi plantada no país, contra 78% da última semana e 77% da média dos últimos cinco anos.

O boletim mostra ainda que 65% das lavouras de soja estão emergindo, enquanto na semana passada eram 65% e a média plurianual, para esta época, é de 57%. No caso da oleaginosa, 72% das plantações se encontram em boas e excelentes condições, 24% em situação regular e 4% entre ruim e muito ruim. Em 2015, neste mesmo período, os números eram de 69%, 26% e 5%, respectivamente.

 


Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas